Cusco do Pago (Dino Franco)

Velho cusco do meu pago, melhor amigo do homem
Raras vezes ganha um nome, se não é custo não mais
Cresce tão longe dos pais no mais cruel abandono
Fiel guardião do seu dono o mestre dos animais

Eu te admiro cusco por ver neste teu latido
Um grito assim parecido de um peão parando o rodeio
No teu uivo o anseio de alguém que a saudade aperta
Rondando a noite deserta cuidando tareco alheio

Tu vales numa tropeada um peão e meio talvez
Dois cuscos valem por três peões bem forte a cavalo
Sem cansaço e sem abalo, viaja de belo a belo
És um firme sinuelo desde a cantiga do galo

No grito vamos embora, és o primeiro da frente
Pulando a quando contente como quem vai pra uma festa
Se teu dono enruga a testa e grita pega esse touro
Tu saltas mordendo o couro do bicho que desembesta

Por isso quando eu lhe vejo passando pela calçada
Numa carcaça acabada de cusco velho sem trato
Me vem na mente o recado de muitos ex grandes homens
Que estão nas garras da fome neste mundo tão ingrato