Grão de Areia (Goiá)
Quando a maldade formando peia vem acusar-me do que não fiz
Saio da trama que me enleia buscando a terra dos bem-te-vis
Só gente amiga lá me rodeia e ouvindo o canto de uma perdiz
A luz divina em mim clareia e ensina a forma de ser feliz
A mão do mestre desfaz a peia a vida toma lindo matiz
No fio de água que serpenteia por entre as flores do meu país
Colher os frutos que a fé semeia sem magoar-se com se diz
É o grande leme que aqui norteia a nau perdida do infeliz
Quando a tristeza me desnorteia o meu refúgio meu chafariz
É uma casinha modesta e feia de móveis velhos e sem verniz
A luz mortiça de uma candeia sentindo o cheiro da flor de Liz
É o prateado da lua cheia banhando as covas dos Buritis
Nessa casinha parede e meia no paraíso dos juritis
A minha sorte me presenteia com tudo aquilo que tanto quis
Não guardo mágoa de quem me odeia porque no mundo de idéias vis
Sou simplesmente grão de areia e o ser supremo é meu juiz