Jeitão de Caipira (Tião do Carro e Eduardinho)
Vô voltar pra minha terra na vidinha de caboclo, v ô trabalhar no roçado nem que for pra rançar toco
O barulho da cidade esta me deixando louco, a coisa aqui já esta de rançar pica-pau do oco
Vô viver lá onde é bão, na vendinha do seu João, agente dá quinhentão ele ainda volta troco
Aqui não tem diversão, muitas coisas me tormenta, agente não vê o céu nessa cidade cinzenta
Fumaça das chaminés já não tem tatu que agüenta, n ão vejo a lua nascer e nem o sol quando entra
Meu sacrifício é tamanho, muito pouco aqui eu ganho, meus visinhos são estranhos, passa e não me cumprimenta
Pau podre não dá cavaco mais pra cortar é macio, eu vivo aqui na cidade batendo em ferro frio
Só tenho a cabeça quente e o bolso sempre vazio, por isso é que eu vou embora meu coração decidiu
Vou me embrenhar na quiçaça, vou viver de pesca e caça, morar ne um rancho de graça naquelas beiras de rio
No ranchinho de sapé amarrado com embira, pode falar quem quiser mais de lá ninguém me tira
Deixo a minha rede armada, também sou firme na mira, vejo a lua e as estrelas depois que o sol se retira
E lá naquele lugar sinto Deus me visitar, dinheiro não vai comprar o meu jeitão de caipira