Meu Reino Encantado (Valdemar Reis e Vicente P. Machado)

Eu nasci num recanto feliz, bem distante da povoação
Foi ali que eu vivi muitos anos com papai, mamãe e os irmãos
Nossa casa era uma casa grande, na encosta de um espigão
Um cercado pra apartar bezerro e ao lado um grande mangueirão

No quintal tinha um forno de lenha e um pomar onde as aves cantava
Um coberto pra guardar o pilão e as traias que o papai usava
De manhã eu ia no paiol e uma espiga de milho eu pegava
Debulhava e jogava no chão, num instante as galinhas juntava

Nosso carro de boi conservado, quatro juntas de bois de primeira
Quatro cangas dezesseis canzis encostados no pé da figueira
Todo sábado eu ia na vila fazer compras pra semana inteira
O papai ia gritando com os bois, eu na frente abria as porteiras

Nosso sítio que era pequeno, pelas grandes fazendas cercado
Precisamos vender a propriedade para um grande criador de gado
E partimos pra cidade grande, a saudade partiu ao meu lado
A lavoura virou colonião e acabou se meu reino encantado

Hoje ali só existe três coisas que o tempo ainda não deu fim
A tapera velha desabada e a figueira acenando pra mim
E por último marcou saudade de um tempo bom que já se foi
Esquecido embaixo da figueira nosso velho carro de boi