Negrinho do Pastoreio (Teddy Vieira)

Por estes pagos onde sopra o minuano
Ha muito tempo viveu um senhor tirano
Coração xucro como os potros que criava
Tinha um negrinho que pra ele pastoreava

E o próprio filho deste cruel fazendeiro
Roubou lhe um potro e vendeu por bão dinheiro
Levando a culpa o negrinho apanhou tanto
Sendo obrigado campear o potro em todo canto

Pobre negrinho passando fome e frio
Campeou o potro três noites três dias fio
Não encontrando, por vingança o fazendeiro
Amarrou o coitado em cima de um formigueiro

E com seu corpo todo coberto de mel
Ele morria padecendo a dor cruel
Mais um clarão vem do céu Nossa Senhora
E levou ele morar no Reino da Glória

Hoje a peonada que viaja pro sertão
Leva três velas pra acender em sua intenção
Diz que o negrinho montado em um potro branco
Traz pro seu dono o boi que arribou no campo

E eu também que neste mundo vivo errante
A ti negrinho eu imploro a todo estante
Daí um alívio pra esta dor que me maltrata
Trazendo a mim o coração daquela ingrata