O Menino (Luiz de Castro e Hélio Alves)

De calças curtas, pés no chão vai o menino, coitadinho peregrino aprender o B-A-BA
Mas ninguém sabe o que ele está sentindo, não amparam o menino e nem querem lhe ajudar
A professora que foi sempre sua amiga, perguntou da sua vida, ele respondeu chorando
Eu sou um órfão que não tem o que deseja, no coreto da igreja é o lugar que estou morando

De manhãzinha, no domingo assisto a missa, depois vou vender revista pra ganhar alguns vinténs
Se sobra troco e me dão se eu mereço, Deus lhe pague eu agradeço, pois não roubo de ninguém
Esta roupinha que com ela estou vestido, eu ganhei do Aparecido, já não lhe servia mais
Às vezes como e às vezes passo fome, do papai nem soube o nome, mamãe não existe mais

E quando eu vejo aproximar o fim do ano, ó meu Deus o desengano vem à tona me ferir
Tudo que sei aprendi com a senhora, foi quem sempre que na hora de chorar me fez sorrir
Mas do que nunca necessito sua ajuda, pois talvez a sorte muda e não tenha a onde ir
Eu gostaria de morar com a senhora, na verdade até agora foi a mãe que conheci