Pioneiro do Sertão (Luiz de Castro e José David Vieira)

Seu moço preste atenção, procure me compreender, bem certinho vou dizer, se o senhor me permitir
Este imenso progresso que cobre o Brasil de glória, analisando a história eu ajudei construir
Hoje os meios de transportes são por vias asfaltadas, mas as primeiras picadas fui eu que ajudei abrir

Com o meu carro de boi, arroxo de couro crú, cambito de guatanbú, fueiro de cambuí
Cortava terras barrentas, nas ferragens dos rodeiros, no rigir dos camoeiros, nos estalos dos cansís
Carregado de cereais eu seguia passo a passo, caprichava nos chumaços pro cocão fazer zunir

Na força do meu destino, desdobrando a sorte amarga, deitado embaixo da carga ouvindo a chuva cair
Sem lamentar minha sorte, depois que a chuva passava de novo continuava minha jornada seguir
Com fé na Virgem Maria que sempre me abençoava e também me acompanhava quando eu ia partir

A cantiga do meu carro na distante caminhada pra sempre ficou gravada na minha imaginação
Meu velho carro de boi que tanto gosto me deu carunchou e apodreceu lá no fundo do galpão
Onde eu for enterrado quero que deixe um letreiro, descança aqui um carreiro pioneiro do sertão