Meu pai era boiadeiro, viajava desde menino
E eu cresci nessa lida, nasci com o mesmo destino
Meu pai morreu na estrada, marcado ao peso da idade
Pro mundo eu sigo levando a negra cruz da saudade
Estou no fim desta vida, em meu exílio profundo
Recordo as longas viagens pra aqueles zelos de mundo
Sonhando ainda eu vejo a minha rede armada
Ainda sinto a friagem na brisa das madrugadas
Sonhando às vezes em delírio escuto na voz do vento
O triste som de um berrante gemendo em meu pensamento
Hoje eu sou a poeira que o gado faz na estrada
E vai sumindo aos poucos, vai se acabando em nada