Primo do Chico Mineiro (Sebastião Victor)

Meu tempo de boiadeiro eu não esqueço jamais
O primo Chico Mineiro que foi o meu capataz
O grito da peãozada em busca dos marruás
Quando eu peguei boi a laço no chão de Minas Gerais

Viajei pela boiadeira descendo dos pantanais
Formando nuvens de poeira na copa dos coqueirais
E quantas noites dormidas no meio dos carrascais
Em cima de alguns baixeiros o forro dos animais

A comitiva pesada cargueiro de cereais
Berrante de madrugada manhãs de uns anos atrás
Passei por vales e montes dos quatro pontos cardeais
Fazendo entrega de boi em diversas capitais

Deixei de ser boiadeiro e quanto tempo já faz
O primo Chico Mineiro mataram em Minas Gerais
Daquele bom companheiro só existe restos mortais
Adeus peões e boiadas, adeus para nunca mais