Sabrina (Carreirinho)

Quando eu era boiadeiro tinha uma vida brilhante
Gostava de trabalhar só em negócios volantes
Comprava gado e vendia em quantidade bastante
Sacava o cobre no banco não precisava endossante
Me lembro de uma passagem que achei muito interessante
Fui buscar uma boiada lá nos campos de Xavantes
Levava quinhentos contos pra despesas dos marchante

Dia da minha partida eu tive um atenuante
De marchar com a comitiva e a minha peonada adiante
Era subida e descida só campinas verdejantes
Logo eu vi um automóvel que vinha vindo distante
Entre a poeira vermelhada vi que o carro era importante
Gritei para minha peonada, não quero que o gado espante
Encoste o gado depressa e que repicasse o berrante

Era uma garota linda, vinha vindo no volante
Disse que chamava Sabrina, me respondeu num instante
Vi que era capitalista, sua fortuna é bastante
Calculei mais de mil contos só em pedras de brilhantes
Perguntou da onde eu era, sou da firma Bandeirante
Todos negócios que eu faço minha firma é quem garante
Eu sou o dono da firma não tenho representante

Pensando bem o destino, veja como e interessante
Ficamos ali se gostando, não se esquecemos um instante
Nunca mais vi essa moça mas a saudade é bastante
Daquele rosto moreno, daquele corpo elegante
Um sorriso encantador, não esqueço teu semblante
O caso é que sou casado levo uma vida importante
Mas lembro desta passagem quando repica um berrante