Saudades de Peão (J. David Vieira e Craveiro)

O galo canta, nas campinas o gado berra, a neblina cai na terra traz um raio de ilusão
A lua cheia, nasce por de trás do morro, mas não gane meu cachorro, nem relincha meu burrão
Que não consola este filho brasileiro hoje velho sem dinheiro, isolado no galpão

Eu não conformo com a tralha empoeirada, me lembro das madrugadas que eu deixava meu rincão
Minha baldrana onde sempre tive os bagos, olho nas balas de aço que ficou no cinturão
Mais eu compreendo que nos quatros continentes o progresso minha gente engrandeceu a nação

O meu berrante pendurado na parede, minha capa, minha rede, a guaiaca e o gibão
O meu chapéu, a bombacha e minha bota, pendurado na vigota o meu laço e meu facão
Meu trinta e oito e a chilena prateada, minha faca parelhada que me traz recordação

Meu lenço branco faz lembrar o moço forte pioneiro do transporte, capataz de profissão
Quando eu avisto as jamantas carregadas eu me lembro das boiadas que eu puxava no sertão
Mas não condeno o expresso boiadeiro que transporta os pantaneiros e a saudade de um peão