Velho Pouso de Boiada (Índio Vago e Dino Franco)

Numa tardinha fui andando por ai, coincidiu que descobri pedacinhos de saudade
Tudo igualzinho há um retrato descorado num cenário amarrotado pelo avanço da cidade
A figueirona com seu tronco já ferido, pelo golpe desferido de um machado sem amor
Condenada sem direito a julgamento, vai tombar qualquer momento pelas mãos de um mal feitor
Memorizando minha vida já passada, recordei naquele instante um velho pouso de boiada
Ou, viaja boi

E ali mesmo encontrei só um pedaço do que um dia foi um laço de um habilidoso peão
E da baldrana as pequenas margaridas, igual estralas caídas espalhadas pelo chão
E do lombilho tropecei num velho caco o farrapo de um guanapo que um dia foi chapéu
Sons de viola explodiam pelo ar parecendo anunciar um fandango lá no céu
Memorizando minha vida já passada, recordei naquele instante um velho pouso de boiada
Vai, vai boiada
Vai vaca preta, cada boi numa carreta

Resto de cerca que já foi de algum potreiro, armação de um cargueiro e um trempe enferrujada
E num palanque velho tronco de ipê, a inscrição que a gente lê, velho pouso de boiada
Num sonho louco retornei a mocidade e ruminando a saudade até alta madrugada
Juro por Deus que chorei naquele instante quando ouvi som de berrante despertando a peonada
Memorizando minha vida já passada, recordei naquele instante um velho pouso de boiada