Vieira e Vieirinha... Eles já tinha nome e, sem dúvida, facilitô a coisa pra gente.
VC – Mas, ganhar o público já é uma outra história...
Léu – Chega é uma coisa, conquistá é diferente. Sê irmão do Pelé é uma coisa, agora, joga bola que nem ele...
Liu – Aí já é o lado de Deus: “esses menino... tenho que dá uma mãozinha pra eles...” (risos)
VC – A aceitação da dupla foi imediata?
Léu – Então... em 1957, nós terminamo a empreitada do café e fomo pra cidade. Através do Zico e Zeca, a gente já conhecia muita gente, O próprio Teddy Vieira já tinha ido na nossa casa, lá na roça. O Biguá também, o Tião Vitor, o Motinha... Sem dúvida que isso ajudou muito a gente, mas na realidade, quando nóis fomo pra São Paulo, o intuito nosso num era cantá. Nóis fomo pra capital pra trabaiá.
VC – Mas como foi o primeiro contato com a música, na capital?
Léu – Como a gente já conhecia algumas pessoas do meio, foi mais fácil. Era aniversário do programa “Brasil Caboclo”, na rádio Bandeirantes, e nóis fomo assisti. A festa continuô, depois do programa, que era ao vivo e com auditório, desde às cinco e meia da manhã. Resolveram pedi pra nóis cantá: “Ah, os irmãos do Zico e Zeca ta aí...” E nóis, na realidade, nem era dupla. Nóis cantava assim, de farra. Nóis nunca tinha ensaiado. Acabamo cantano uma música lá, “O Meu Ranchinho”. Pegamo os instrumento do Zilo e Zalo emprestado e o pessoal gosto.
Liu – O Capitão Barduíno até que num tava quereno muito que nóis cantasse, porque o Zico e Zeca tinha saído da Rádio Bandeirantes e ido pra Rádio Nacional, e ele tava meio brabo com aquilo.
Léu – Mas aí o Biguá, o Zacarias, o Generoso, o Muibo Cury, foro lá e convencero ele. Daí o Zacarias marcô o dia pra nóis estréia no rádio, no programa dele, “Novidade Sertaneja”. Marcô pro dia cinco de novembro de 1957. Foi então que nóis fomo compra uma viola e um violão, que nóis num tinha nada. (risadas)
VC – Agora era sério!
Léu – É aí nóis fomo ensaia umas moda pra estreiá na rádio. A partir daí...
VC – Nessa época, o rádio tinha uma força maior na divulgação do artista. Era ele quem lançava os artistas.
Léu – É, as dupla fazia seus programa diário. Cada um tinha seu dia, sua hora. Mais, nóis cantava era um dia, depois pulava dois. O que acontecia: a gente ia lá, cantava na rádio, e já começava a viaja, ir pra circo... Os ouvinte é que dava fama pro artista. Daí, então, é que vinha os interesse das gravadora.
VC – Como era o contato das gravadoras com as duplas?
Léu – Os viajante das gravadora visitava as loja e os vendedor falava pra eles qual música de qual dupla que o público queria ouvi. Era o lojista quem dava as dica. Às veiz ninguém conhecia direito a dupla, então a gravadora ia atáis pra gravá.
VC – E como era a gravação?
Léu – Agente entrava tudo junto no estúdio e gravava direto, tocano e cantano. Quando nóis gravamo, em 1959, o “Rei do Café”, quem toco viola pra gente no estúdio, foi o próprio Teddy Vieira. Em “Boiadeiro Errante”, foi o Florêncio.
VC – Como foi a aceitação desses primeiros discos, pelo público?
Léu – Se fosse hoje, por exemplo, “Boiadeiro Errante”, só com os direito de execussão, já dava uma ajeitadinha na vida da gente. (risos)
VC – Vocês sempre tiveram o cuidado de escolher bem o repertório dos seus discos. Só tem música boa!
Léu – Eu tenho a impressão que é porque nóis nunca tivemos interferência de gravadora na hora de escolhê o que a gente ia cantá. Eu acho que é por isso. (pausa para um cafezinho preparado pelo Liu)
VC – “O Ipê e o Prisioneiro” tem uma importância extra na carreira de vocês. Como foi isso?
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